
Durante toda essa semana fiquei vidrada, aliás eu e todo o Brasil, na mídia para acompanhar cada detalhe do julgamento do casal Nardoni.
Ontem, chegada a fatídica hora da leitura da sentença, a porta do Fórum de Santana estava lotada de populares que ansiavam por justiça, o sentimento compartilhado por muitos outros brasileiros. Mas me espantou tanta felicidade e os fogos para a condenação do casal. Vamos ponto por ponto.
A justiça, como princípio, deve ser motivo de reivindicação e quando atingida, de orgulho. Penso que é um ponto pacífico, este meu raciocínio.
Mas será que não estamos confundindo a justiça com vingança?
Entendo que a sociedade está num momento de muita impunidade e isso faz com que os ânimos fiquem exaltados além do normal diante de acontecimentos trágicos. O problema é que ao invés de pensarmos em como cobrar: mais justiça, mais empenho de autoridades, mais respeito aos cidadãos; nós estamos quase que sugerindo a volta da Lei de Talião. Devemos pensar a lei e os trâmites, às vezes burocráticos demais eu concordo, como proteção aos inocentes. Pois, mais valem 10 bandidos soltos do que um inocente preso.
A justiça merece empenho, aplausos, sorrisos, mas a vingança não!
Então, aplausos à brilhante atuação do promotor Francisco Cembranelli, obrigada por fazer justiça numa sociedade já tão sofrida com tanta violência.
Mas vamos deixar o casal Nardoni pagar sua pena como a Justiça determinou e vamos deixar em paz o restante de sua família.
Não pensem que sou defensora máxima das ações da Justiça, ela erra ! E nestes casos devemos fazer todas as cobranças pertinentes. Só estou tentando lembrar que temos uma Constituição moderna e protetora dos direitos humanos. Ela tem falhas? Tem. Mas tem, também, muitos pontos brilhantes.
E por último, os advogados da defesa apenas estão exercendo a sua profissão. Além de estarem oferecendo ao casal o direito à defesa, ao contraditório, protegidos pela Constituição. Como disse o presidente da OAB-SP, Luiz Flavio Borges D´Urso, e a presidente em exercício da ordem, Marcia Regina Machado Melaré: "O advogado não pode ser confundido com o seu cliente".
Até a próxima!

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